19 abril, 2011

O segredo por detrás da ponte (part. 4)

O irmão de Pedro estava no pátio conversando com ele quando a sua mãe, sobre a qual ainda nem o nome sabia, apareceu e agarrou-lhe o pequeno braço, parecendo-me a mim que com uma força desmedida, mas a criança não mudara a sua expressão, mostrava-se até bem feliz esboçando um sorriso ao Pedro. A mulher dirigiu-se com o seu filho para dentro de casa e passados alguns minutos vi-os saírem da casa. O menino carregava às costas uma pequena mochila e ela um mala que ao meu olhar parecia já antiga. Ao vê-los afastarem-se no carro, desci para ir ter com o Pedro. Tencionava entender o que se tinha passado, para onde eles se dirigiam. Desta vez não esperei qualquer sinal ou gesto, sabia que não havia qualquer entrave que me impedisse de seguir até junto dele.
                - Pedro, que se passou? Para onde foram?
                - Nem eu percebi, ela chegou a casa a dizer que ia sair durante uma semana ou mais, que não sabia quando voltava e levou o pequeno. Disse-me que o ia deixar com alguém, qualquer pessoa menos comigo, que eu era um perigo para ele e simplesmente saiu - notava-se no seu olhar que estava confuso, que não percebera realmente o que tinha acontecido.
                - Meu deus, e tu deixas-te ela leva-lo assim?
                - Que querias que fizesse, diz-me? Que a impedisse? O filho é dela não à nada que eu possa realmente fazer.
                - Não tens ideia de alguém com quem ela o possa ter deixado?
                - Claro que faço. – Hesitou – com a mãe dela. Mas, não posso ir busca-lo.
                - Porquê?
                - A velha não vai com a minha cara nem por nada deste mundo. Nem que eu salva-se o neto dela de cair num precipício algum dia ela gostaria de mim.
                - Bolas. Que tencionas fazer?
                - Nada. Não à nada que posso fazer.
 Não havia nada que eu pode-se dizer ao Pedro que verdadeiramente o aconchega-se. Então, fiquei ali, apenas a observar os seus movimentos como em muitos outros dias, só que desta vez mais de perto. Podia ver que ele não estava confortável com aquilo e as suas palavras confirmaram-no.
                -Supostamente, não seria agora que tu simplesmente voltavas para casa.
Não sabia se aquilo era uma pergunta ou se ele me estava a sugerir que fosse embora.
                - Estou a incomodar-te?
                - Mais ou menos. – Pareceu-me que ele tinha ficado um pouco envergonhado com aquela situação – só não estou habituado que fiquem assim a observar-me.
                - Então, porque não falamos. Gostava de saber mais sobre ti, quero saber se por dentro és tão encantador como transpareces ser.
Como tínhamos todo o tempo do mundo, já que a sua madrasta se tinha ausentado por um período indeterminado, ele concordara com a minha proposta e ficamos ali até altas horas à conversa um sobre o outro. O Pedro era realmente um rapaz encantador e eu estava profundamente apaixonada.

& Lil

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